Carta escrita; envelope comprado; falta só a coragem, agora.
E eu hoje até voltei pra casa devagar. Diferente de quase todos os outros dias - ou noites, isso sempre acontece com mais força quando dirijo a noite - eu guiava sem sentir a já familiar ânsia de ver o carro desgovernando de repente. Até isso parece que desisti de esperar.
Já vai pra mais de uma semana com antibióticos, e de 10ml em 10ml eles só são capazes de aliviar certas dores até certo ponto; quando a gente vê, está usando o xarope pra engolir o calmante e, pra lavar o gosto de tantos remédios, entorna mais uma cerveja, pois por que não?
Talvez seja melhor assim, com a boca cheia eu não consigo proferir as frases de efeito que não afetam ninguém.
Porque é possível que eu tenha me apaixonado por uma ideia; racionalmente, investiguei a fundo, com a intenção de encontrar a desilusão necessária pra esquecer o devaneio todo - e o tiro saiu pela culatra, quando me deparei com algo realmente apaixonante justo por conter, além de toda a perfeição, os defeitos que humanizaram o personagem já criado.
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Mas tudo isso eu pensei e senti anteontem; hoje, como escreveu Bukowski: eu te amo, mas não sei o que fazer.
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