"humanos são complicados,

eles dizem uma coisa querendo dizer outra, e acham que se disserem o que querem dizer algo vai dar errado e a intenção deles não se realiza, é um ciclo vicioso de validação pra falta de sinceridade" (TINDER, Contatinho do, 2019)

Uma pessoa que eu agora nem lembro mais o nome me largou isso também já não lembro por quê/em que contexto, mas foi tão na espinha que precisei anotar.

Porque eu já tive uma meia dúzia de conversas sobre a [particularmente, minha] dificuldade de expressar o que penso/sinto; algumas delas, com quem eu mais queria poder falar tudo abertamente, inclusive. E foi um choque que isso saltasse tanto à percepção de alguém, dada minha fama de sincericida no passado.

Já hoje em dia eu dou voltas e voltas com tudo o que tenho vontade de dizer e acabo sempre escolhendo o silêncio, escolho ficar com a ilusão de ter os motivos certos pra cada palavra dita e, principalmente, pra cada palavra guardada. Se eu não pedi o que queria, me conforto dizendo a mim mesma que foi por isso que não consegui, olha que cômodo.

Mas então é hoje que você solta o verbo, Nayana? Óbvio que eu ainda não vou falar, especialmente aqui, nem 5% do que me anda entalado. Certas ideias estão reservadas a certas pessoas, em seus devidos momentos, distâncias [ou falta dela] e níveis alcoólicos. 

Por hoje, tudo que preciso tirar do peito é que sim, existe um mar aqui dentro, cada vez mais agitado [essa ressaca, no dia que estourar, tem tudo pra ser destruidora - e talvez no bom sentido, até. É essa a ideia, ao menos]. E eu entendi mais uma peça desse quebra-cabeça: não adianta me assegurar que nada vai mudar se eu disser seja lá o que for que imaginam que eu guardo.

O "problema" é justamente esse.

Se fosse pra não mudar nada, não surtir efeito algum, eu já teria falado tudo, óbvio. Então a conclusão, que no fundo não conclui nada, é que essa dança vai continuar enquanto eu não sentir que o que eu tiver pra falar vai surtir o efeito que eu espero. 

As não sei quantas mil palavras que eu já escrevi , em não sei quantos cadernos [alô, Tuyo] só saíram porque o papel eu sei que jamais vai me olhar com cara de pena e se afastar de mim pra não me machucar; só de vez em bem quando eu arrisco algumas pistas pra "sentir a água", mas a cada desabafo pra ninguém, algo novo se encaixa e eu entendo que ainda não é a hora
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Ou, como diz a letra de Solamento:


Se do meu jeito não consegui te alcançar
Agora é aceitar, e me silenciar
E entender que eu não sou pra você.

Dois dias atrás:

Carta escrita; envelope comprado; falta só a coragem, agora.

E eu hoje até voltei pra casa devagar. Diferente de quase todos os outros dias - ou noites, isso sempre acontece com mais força quando dirijo a noite - eu guiava sem sentir a já familiar ânsia de ver o carro desgovernando de repente. Até isso parece que desisti de esperar.

Já vai pra mais de uma semana com antibióticos, e de 10ml em 10ml eles só são capazes de aliviar certas dores até certo ponto; quando a gente vê, está usando o xarope pra engolir o calmante e, pra lavar o gosto de tantos remédios, entorna mais uma cerveja, pois por que não?

Talvez seja melhor assim, com a boca cheia eu não consigo proferir as frases de efeito que não afetam ninguém.

Porque é possível que eu tenha me apaixonado por uma ideia; racionalmente, investiguei a fundo, com a intenção de encontrar a desilusão necessária pra esquecer o devaneio todo - e o tiro saiu pela culatra, quando me deparei com algo realmente apaixonante justo por conter, além de toda a perfeição, os defeitos que humanizaram o personagem já criado.
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Mas tudo isso eu pensei e senti anteontem; hoje, como escreveu Bukowski: eu te amo, mas não sei o que fazer.

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