Eu hoje precisava muito falar de raiva e mágoa. Mas agora, depois de conseguir assistir o show de uma banda que significa demais pra mim, eu prefiro falar de amor.
Liguei a televisão e chorei pelas três primeiras músicas. Chorei de mágoa, de incredulidade com a falta de empatia das pessoas; chorei de frustração, inconformada por ainda ser tão ingênua e achar que podia contar com a palavra de alguém como podem contar com a minha; chorei de solidão, me sentindo mais distante que nunca de todes ao redor, desconectada, até.
Mas aí o choro foi transmutando.
Na segunda metade do show, eu não lembrava mais como é não sentir o peito transbordando de amor e admiração por alguém. Então fiz uma prece silenciosa ao universo, agradecendo por sempre ser capaz de recuperar isso, mesmo depois de parecer que já fui longe demais pra achar o caminho de volta.
Como mágica, eu senti os trapos dentro do peito sendo remendados, até me ver sendo quem essencialmente sou, pouco ligando pra reciprocidade ou opinião: só é seu aquilo que você dá. Foi bom lembrar como quando a gente se entrega, tudo ganha a perspectiva certa e se alinha. E flui com bem menos dor.
Sei que virão mais dias de montanha-russa, mas hoje, ao menos até adormecer, vou aproveitar essa sensação de paz comigo mesma, com meus demônios e meus medos, e deixar vibrar o amor que me despertam aqueles e aquelas que surgem quando a gente menos espera, nos salvando com os menores gestos e respostas.