Depois de um típico banho de sábado em plena terça, como se o mundo não estivesse girando ao contrário dentro da minha cabeça, até dá pra fingir alguma normalidade.
Dá até pra tomar mais uma cinarizina, fingindo que todos os comprimidos do mundo pudessem resolver isso que você chuta pra trás da cômoda, debaixo da cama ou dentro do armário a cada vez que é obrigada a encarar.
Já se vão 16 dias de distanciamento social. 16 dias sem por sequer a mão na maçaneta, que dirá os pés na rua; 16 dias praticamente sem regra pra sono ou refeições.
16 dias de pensamentos quicando pelas paredes do quarto e eventualmente voltando pra dentro de uma cabeça já clinicamente tonta.
Depois de 16 dias iguais, você não vê nada de errado em acordar as cinco da manhã de um delicioso sono de dramin, tampouco se importa se ainda está muito escuro pra escrever sem acender as luzes. Você só precisa tirar da mente esse punhado de palavras que continuam não fazendo muito sentido.
Mentalmente, umas 27 cartas foram escritas pra umas 10 pessoas diferentes. Na prática, uma ou duas vão pro papel ou tela, e um total de zero serão enviadas - e, no fundo, nem dá pra dizer que isso é totalmente ruim.
Ok, quem sabe até poder sair de casa novamente você talvez crie coragem pra passar um dia falando tudo que tem vontade, sem freios, sem medo das consequências. Muito provavelmente sem consequências, aliás.
Mas pretensiosa, você, hein? Se achando imune assim, querendo soltar o verbo pensando que nada vai mudar. Não acontecer o que você esperava é bem diferente de não haver piora alguma, garota, presta atenção.
De benéfico pra você, no máximo uma melhora nessa vertigem alucinante. Pros outros, talvez a certeza de que era mesmo melhor se afastar, e que só demorou mais do que devia.
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